Meus amigos do AutoSpecs, Carlos Oliveira na área para mais uma análise pé no chão. A notícia da vez mexe com a cabeça de quem curte um utilitário robusto e confiável: a Ford Everest, versão SUV da nossa conhecida picape Ranger, não será produzida na Argentina. A informação, confirmada pelo próprio presidente da Ford, é um balde de água fria para quem esperava ver esse gigante por aqui. E o motivo? O velho problema: instabilidade econômica e a alta carga tributária no país vizinho, que, segundo a montadora, pode até levar ao fechamento de mais fábricas por lá. É um cenário que, infelizmente, já estamos acostumados a ver na América do Sul.
Para nós, brasileiros, essa notícia tem um peso especial. A Argentina é um parceiro comercial fundamental, especialmente para veículos. Muitos dos carros que rodam aqui, inclusive a Ranger, vêm de lá. A Everest seria uma adição interessante, um SUV de verdade, com chassi de longarinas, pronto para encarar qualquer desafio, assim como a picape. Mas com a situação atual, a Ford simplesmente não vê viabilidade econômica para investir na produção. Pensem comigo: se a produção já é inviável na Argentina, imaginem o preço de um carro desses chegando aqui, com impostos de importação e tudo mais. Seria um produto de nicho caríssimo, que dificilmente encontraria seu espaço no mercado, mesmo com toda a robustez que a plataforma da Ranger oferece.
E qual o impacto direto para o consumidor brasileiro? Bem, significa que a concorrência para a dupla Toyota SW4 e Chevrolet Trailblazer continua limitada. São SUVs que, apesar de beberem da mesma fonte das picapes (Hilux e S10, respectivamente), já chegam com preços salgados. A poderia ter sido uma terceira opção de peso, oferecendo a mesma durabilidade e capacidade off-road, talvez com um design mais moderno, se pegarmos a linha atual da . Mas, com a inviabilidade de produção local, seu custo-benefício para o nosso mercado seria questionável. É preciso ser realista: um carro que já sairia caro na Argentina, chegaria aqui com um valor proibitivo, afastando a maioria dos compradores que buscam um veículo com boa relação entre preço, consumo e manutenção.

